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Folha de São Paulo diz que habitantes de Caetité morrerão com irradiação
 
Sexta, 19 de Fevereiro de 2010  
 

Em várias matérias publicadas no Jornal de maior circulação do país, a FOLHA DE SÃO PAULO chamou a atenção do mundo para os problemas detectados na extração de urânio na Terra de Anísio Teixeira. Através da Jornalista Marta Salomon, enviada especial a Caetité, várias matérias foram publicadas nesta semana. Transcrevemos aqui, na íntegra, as citadas reportagens, muito embora, acreditamos haver um certo exagero por parte do jornal, a questão merece uma discussão mais aprofundada e a INB não o faz, prefere divulgar em outdoors que não há com o que se preocupar.

Leia as reportagens:

Mina de urânio causa medo e revolta na BA Prefeitura de Caetité, no interior do Estado, lacra poços por apresentarem índices de radioatividade acima do limite legal

Estatal responsável pela extração do minério no local contesta laudos de órgão do governo estadual e enfrenta protesto de moradores
 MARTA SALOMON
ENVIADA ESPECIAL A CAETITÉ (BA)

De seu quintal, Tiago Alves dos Santos, 60, avista a única mina de urânio em atividade no país, origem da matéria-prima para o combustível das usinas nucleares de Angra dos Reis.
Ao alcance de sua vista também está o resultado de dez dias de falta d"água na região.
O papel no poço lacrado informa: "contaminação por urânio acima dos limites permitidos pelo Ministério da Saúde".
Desde a interdição do poço, a prefeitura distribui água apenas para beber e cozinhar.
"Os bezerros não podem beber, não posso molhar os pés de planta", diz Tiago, um dos cerca de 3.000 moradores da área de influência da mina de urânio.
Em três meses, nove poços próximos à unidade da estatal INB (Indústrias Nucleares do Brasil) em Caetité, sertão da Bahia, foram fechados por causa do alto índice de radioatividade, até 47 vezes o limite legal.
Os laudos que apontam contaminação por urânio são do órgão estadual Ingá (Instituto de Gestão das Águas e Clima).
Num raio de 20 km da mina, os poços começaram a ser pesquisados no final de 2008, quando um deles foi fechado.
Desde então, Caetité vive uma guerra de informação, que prejudica produtores, atemoriza parte da população de 46 mil habitantes e põe em xeque a retomada do programa nuclear brasileiro pelo governo federal.
"Tecnicamente, [os dados] estão errados", afirma Odair Gonçalves, presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear, órgão federal responsável pela fiscalização do setor.
Ele diz que amostras de água chegaram ao Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) sem identificação de origem e podem ter sido manipuladas. "Vamos refazer a análise nos mesmos poços."
O exame periódico do nível de radiação da água é obrigação da INB. Até hoje, em dez anos de funcionamento da mina de Caetité, a estatal nuclear afirma não ter detectado resultados acima dos limites legais.
Documento da INB de 2004 admite que a água da região pode apresentar índices elevados de urânio, mas alega que seria sinal da presença natural e inofensiva do metal-e não resultado da atividade mineradora.
O instituto do governo baiano não culpa diretamente a estatal, por ora. Informa que somente no segundo semestre será possível aferir a origem do urânio encontrado na água.
Caso o urânio tenha vazado da mina, a atividade da unidade de Caetité poderá ser suspensa. De lá saem 400 toneladas por ano de concentrado de urânio, conhecido como "yellow cake".
"A água era bem clarinha; podia estar bebendo veneno sem saber", diz Raimar Alves, presidente da associação de Barreiro, um dos povoados afetados, em meio a um ato contra a contaminação, na quarta passada.
A estatal nuclear e a comissão de energia nuclear insistem em que a exposição ao urânio natural não fazem mal. "Dois anos de trabalho na mina equivalem à radiação de um raio-X dentário", afirma Hilton Mantovani, gerente da unidade.
Estudo contratado pela própria INB, porém, cita a ocorrência de tumores e malformações congênitas como doenças "que podem ser relacionadas com a exposição à radioatividade". A avaliação dos impactos da mineração na saúde da população de Caetité levará cinco anos para ser concluída.

Impressões
"Existem casos de câncer, mas não posso dizer que seja diferente de outras áreas nem que não há risco", afirma a secretária de Saúde local, Cyntia Marques. Para a superintendente de vigilância e proteção à Saúde do governo da Bahia, Lorene Louise Pinto, vale a precaução: "Pelo risco potencial, a tolerância tem de ser zero".
As neoplasias são a segunda causa de morte no país, atrás das doenças do aparelho circulatório. Nos registros de Caetité, uma a cada três mortes ocorre por "mal desconhecido".


"Tem pessoas que a gente percebe que poderiam ter câncer, mas o atestado dá causa desconhecida", diz Ademário da Silva, morador de Maniaçu, a 12 km da mina. Na quarta, ele engrossou protesto no fórum de Caetité, onde corre processo por calúnia aberto pela INB contra o padre da cidade, Osvaldino Alves Barbosa.


A estatal considerou ofensivos comentários do padre na divulgação, em 2008, de um relatório da ONG Greenpeace, o primeiro documento a falar em contaminação na região. A INB quer que o padre se retrate. Ele se recusa e cobra que a saúde da população seja monitorada.

Contaminação acirra disputa por água na zona rural de Caetité

Prefeitura do município do sertão baiano usa carros-pipa para tentar abastecer povoados onde os poços estão interditados

Na fila do abastecimento, povoado que fica ao redor da mina de urânio chegou a passar duas semanas sem água no mês passado 

 Nuvem cinza até aparece no céu de Caetité, mas a chuva é rara mesmo em época "de chuva". Após a interdição dos poços por causa do urânio, a disputa por água aumentou na região onde ela já era escassa.
Na segunda passada, chegaram à prefeitura 15 pedidos de carros-pipa. "É caro abastecer com carro-pipa, mais de R$ 6.000 por mês", afirma Nilo Joaquim de Azevedo, secretário de Recursos Hídricos.
"A gente tem de assinar papel, pôr o CPF e esperar para ganhar umas gotas d água", diz Osvalino Chagas da Silva, que mora em frente ao poço lacrado no povoado de Maniaçu. "Se a contaminação chegar no olho d água [outro poço local], será o fim, podemos ir embora daqui."
Na fila pelos carros-pipa, o povoado ficou duas semanas sem abastecimento em janeiro.
A estatal INB (Indústrias Nucleares do Brasil) ajuda a prefeitura na distribuição de água ao mesmo tempo que disputa água com a população.
"Em abril, tivemos dificuldade de operar a planta por falta d água", diz Hilton Mantovani, gerente da unidade de Caetité. Ele calcula em 30 metros cúbicos a demanda diária de água na mina. Sem água, ela para.
O problema da região pode se agravar, porque a maior parte dos 50 poços existentes no entorno da mina de urânio ainda não teve os índices de radiação avaliados pelo instituto responsável pelas águas da Bahia.
"Nessa área [da mina], nem deveria ter poço artesiano, porque existe muito urânio natural", avalia o secretário.

Segundo ele, quatro caminhões-pipa funcionam o tempo todo para abastecer a cidade.
A Folha flagrou uma versão improvisada de ônibus-pipa circulando nas ruas do vilarejo de Maniaçu. Uma cacimba foi montada em cima de uma carroceria de ônibus cortada.
No centro urbano de Caetité (44 por cento da população mora na zona rural), distante 30 km da mina de urânio, os moradores são abastecidos com água de poços livres de contaminação.


 
 
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 Comentários:
.1
Sexta, 19 de Fevereiro de 2010 | 15:59  
Delano
Sempre que posso, acompanho as notícias da nossa querida cidade através deste site. Quando me deparo com uma notícia veiculada por um Jornal de tamanha credibilidade, como é A Folha de São Paulo, fico muito triste e bastante preocupado, porque as pessoas que convivem conosco tão de perto, nossos conhecidos e até parentes que residem próximo à zona de extração desse minério, estão sofrendo com o resultado dessa extração. O que mais me preocupa é que não sabemos a verdade e muito pior, não temos a quem recorrer, pois, as autoridades também são desinformadas quanto ao assunto e ao mesmo tempo despreocupadas com o que vem acontecendo. Esperamos que esse problema não venha se agravar como uma doença diagnosticada tardiamente cujo tratamento seja impossível de se realizar.
.2
Sexta, 19 de Fevereiro de 2010 | 20:29  
IZA
É MEU CARO DELANO ... O PIOR É QUE OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DAQUI DIZERM QUE É TUDO MENTIRA ... E NÓS QUE MORAMOS AQUI ? O QUE FAREMOS ?ACREDITAMOS EM QUEM? SÓ MESMO DEUS PRA ILUMINAR AS NOSSAS AUTORIDADES E MOSTRAR QUE O DINHEIRO DA INB Ñ É MAIS IMPORTANTES QUE AS NOSSAS VIDAS !!! E ESPERAMOS QUE SEJA MUITO RAPIDO, ANTES QUE SEJA TARDE !!! DEUS PROVERÁ!!!1
.3
Sábado, 20 de Fevereiro de 2010 | 09:02  
sem
a população não tem assistencia medica.
.4
Sábado, 20 de Fevereiro de 2010 | 13:34  
Herminio
As análises, os estudos, e os resultados precisos, demoram muito a serem concluídos, e com isso a população convive com a incerteza, o medo, e a intranquilidade... A bem da verdade o pânico invadiu toda região, no que resultará no futuro, uma região fantasma... Esse caso já se tornou conhecido por todo Brasil, a ponto de viajantes passarem pela avenida Waldick Soriano, usando máscaras e com os vidros dos automóveis lacrados, como se o ar de Caetité, fosse altamente letal... O conhecimento através de reportagens que todo território Nacional e internacional obtem sobre o respectivo assunto, é realmente temeroso... Infelizmente o falatório e especulações são muito grandes, e ninguem consegue, ou não faz por onde conseguir, equacionar esse terrível problema... Até o presente momento o povo é só, e desamparado e pelo visto continuará assim... Infelizmente o nome CAETITÉ hoje em dia, se encontra no LIXO mundialmente... Essa queda de braço entre usina nuclear e a população, nús faz crer que a corda quebrará do lado mais fraco, resultando em o povo arrumar as malas em busca de sossego e saúde, onde a INB alcançará o êxito almejado...
.5
Sábado, 20 de Fevereiro de 2010 | 14:40  
Ana
Essa INB é uma tremenda duma vergonha, processaram o padre so porque ele é uma pessoa consciente e se preoculpa com o bem da cidade enquanto os manda-chuva do pedaço num ta nem ai pra quem se ferra ou não, to vendo a hora de Caetite virar uma cidade-fantasma, Infelizmente eu moro nessa cidade infeliz e amaldiçoada pela INB, algumas pessoas que se preoculpam não recebe o apoio de ninguem, quando todo mundo se ferrar eu quero ver no que vai dar. Espero que os "figurão do pedaço" tomen um pouco de consciencia e tentem deter um pouco a situação(apesar que que a desgraceira ja foi feita), como eu sei que meu comentario não vai valer de nada para vocês o jeito é ir pro meu twitter e cuidar de minha vida mesmo. Meu recado ja foi dado, ficadika.
.6
Sábado, 20 de Fevereiro de 2010 | 14:46  
Maria
POPULAÇÃO CAETITEENSE, NÃO DEIXEM A INB FAZER AO ABSURDO QUE ESTÁ FAZENDO COM O PADRE OSVALDINO. A POPULAÇÃO PODE INTERVIR NISSO FAZENDO PROTESTOS NO FÓRUM, NÃO DEIXANDO ELE SER PENALIZANDO. GRAÇAS A DEUS EXISTEM PESSOAS COMO O PRADRE OSVALDINO E A GREENPEACE, DOS POUCOS QUE DEFENDEM A CIDADE. QUE A POPULAÇÃO TENHA CONSCIÊNCIA E NÃO TENHA VERGONHA DE GRITAR.
.7
Sábado, 20 de Fevereiro de 2010 | 14:50  
Lene
Meu recado vai para as autoridades do município de Caetité: do poder judiciário, executivo e legislativo. Peço a vcs para lutarem a favor da cidade, contra a INB, pois caso vcs não saibam, o câncer é uma doença democrática, ninguém está isento dela.
.8
Quinta, 25 de Fevereiro de 2010 | 14:50  
moradora indignada
Fico indignada com a falta de humanidade de algumas pessoas que têem o poder de ifluenciar em favor dos eleitores e as vezes por conta de alguns investimentos deixa seu povo nesta situação caótica poderiam botar a boca no trombone e fazer com que a INB COM TODO O SEU DINHEIRO distribua água de qualidade para a população da região de Maniaçú , mas infelismente é mais cõmodo para eles iluminar restaurar prédios ,e a população irá morrer de sede ? Como diz o presidente poucos dias atrás .A culpa foi dele que se deixou morrer ,talvez a pop. é cupada por morar no entorno da mina é?
.9
Terça, 03 de Agosto de 2010 | 19:26  
lucia
Olha isso!
 
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